quinta-feira, 19 de setembro de 2013

O Gebo e a Sombra (2012)




de Manoel de Oliveira  
Michael Lonsdale
Leonor Silveira
Claudia Cardinale
Jeanne Moreau
Luis Miguel Cintra
Ricardo Trepa

Sinopse: Gebo é um cansado contabilista que vive numa casa empobrecida, com a sua mulher Doroteia (Claudia Cardinale) e a sua Nora (Leonor Silveira). Apesar das dificuldades, o que lhes mais atormenta é a ausência do seu filho João, que saiu de casa em busca de uma aparente vida melhor. A ausência de João acarreta alguns segredos que só Gebo sabe até ao momento em que João regressa...

Vamos constatar o óbvio : Manoel de Oliveira com 103 anos é um caso invejável longevidade na história do cinema português, ao realizar um filme por ano. Agora será isso suficiente para indicar as excelentes criticas que O Gebo e a Sombra tem tido? 

Manoel de Oliveira : Ama-se ou Odeia-se?

Aliás há uma determinada fase do cinema autoral em que qualquer filme que saia seja sinal de boas criticas. Manoel de Oliveira é um desses casos em que tem a imprensa especializada rendida à longevidade do seu trabalho e a sua coerencia. Isso não está posto em causa, agora quando se critica um cineasta por se tornar rotineiro (Woody Allen é um desses casos) não se poderia criticar Manoel de Oliveira dessa mesma rotina? 

Não me parece que nesta fase da sua vida, o realizador queira inovar a sua fórmula narrativa dos seus filmes,mas salvo raras excepções sempre achei o cinema de Manoel de Oliveira muito fechados em si mesmo, indiferente a quem o poderia vir a estar a ver, apenas e só para consumo interno. Não digo que com isso Gebo e a Sombra não tenha os seus momentos, mas enquanto que todos aplaudem as actuações, não consigo me abstrair de toda a artificialidade que Gebo e a Sombra oferece. 

Em Gebo e a Sombra grande parte do filme passa-se numa sala fechada onde  verbaliza-se os todos pensamentos em monólogos e diálogos, quando os silêncios poderiam ser bem mais eficazes. Um filme- teatro, onde a forma condiciona o conteúdo cabe a quem está a ver o filme, identificar-se (ou não) com este tipo de linguagem. Eu recaio no segundo grupo.

Embora seja importante perceber o que o realizador quer transmitir é necessário que se estabeleça um elo de ligação entre o espectador e o objecto cinematográfico. Tirando alguns momentos mais inspirados ( quase todos nos diálogos onde entra Jeanne Moreau), não senti essa ligação... O que é pena... ainda não foi desta que fiquei seduzido ao cinema de Manoel de Oliveira...

O melhor : Jeanne Moreau.
O pior : A artificialidade teatral disfarçada de grandes interpretações.



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