de Sean Durkin
Elisabeth Olsen
John Hawkes
Sarah Paulson
Hugh Dancy
Vindo dos festivais de cinema com um hype bastante positivo como sendo um dos mais desconcertantes produtos cinematográficos deste ano, Martha Marcy May Marlene acaba por ver o seu reconhecimento injustamente ignorado nos Óscares e nos Globos de Ouro uma vez que se trata do que de melhor que vi em termos de produção indie nos E.U.A
O filme é um prodígio de edição onde Zachary Stuart Pontier, torna as cadencias entre o culto e a vida familiar de Martha em algo hipnótico e sedutor como algo que estava entranhado bem na personalidade de Martha, que juntando à fotografia de Jody Lee Lipes retira o melhor dos ambientes e da sensação de claustrofobismo em que a Martha vive.
Martha é uma jovem que foge de um culto, onde esteve ingressada durante dois anos. Contactando a irmã mais velha, ela regressa a casa. para uma aparente normalidade. A partir daí Martha vai sendo povoada por uma sensação de paranóia como se tivesse a ser perseguida pelo culto. É algo que ninguém entende e que a torna desajustada da sociedade normal.
Martha Marcy May Marlene é sobretudo um interessante exercicio sobre o domínio que este tipo de comunidades consegue ter sobre uma pessoa, moldar e seduzir aos poucos a sua personalidade. Muitos acharam o final abrupto, mas para mim conclui ambiguamente na perfeição o filme: Martha nunca viverá descansada, ela ficará sempre com aquela sensação de vigília constante, como se o culto viesse reclamá-la para si, poderá ser um exagero por parte de Martha ou os seus receios poderão ter fundamento.
Grandes actuações de Elisabeth Olsen e de John Hawkes, que oferece uma interpretação silenciosamente assustadora como Patrick, o líder do culto, um argumento que deixa a pensar e reflecte sobre uma realidade algo vincada nos EUA. Esse sentimento de isolamento que já tentaram adaptar para cinema, mas poucos fizeram-no tão eficazmente como Sean Durkin faz aqui em Martha Marcy May Marlene.


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